As dificuldades na interiorização da TV Digital

Emerson Weirich ficou no Japão por dois anos acompanhando o projeto de interiorização da TV digital feito pela NHK

Emerson Weirich ficou no Japão por dois anos acompanhando o projeto de interiorização da TV Digital feito pela NHK, empresa pública japonesa.

Mesmo depois de cinco anos de início do processo de digitalização dos canais brasileiros, a interiorização da TV digital parece um desafio maior do que antes previsto.

Com prazo estipulado para o desligamento do sinal analógico para abril de 2016, as emissoras correm contra o tempo para interiorizar o sinal digital. A palestra “Transmissão & Distribuição – DTV: Interiorização”, moderada por Paulo Roberto Feres (SET/ TV INTEGRAÇÃO) abriu o painel da sala 12 da 26ª edição do Congresso SET, realizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET).

“Os maiores desafios estão na expansão da transmissão DTV terrestre” destacou na abertura do painel o mediador Feres dando início a mesa.

O primeiro palestrante que atua na TV Integração há 22 anos, a mais antiga retransmissora da TV Globo, Joelson Alves Barbosa falou sobre a área de cobertura da emissora, que abrange um extenso território no triângulo e sul de Minas.

Barbosa expôs os desafios na criação das redes de distribuição do sinal e da interligação do anel entre as diferentes Praças. “Um dos grandes desafios, é porque vivemos numa região muito quente, e fornecer a refrigeração necessária para manter os equipamentos na temperatura foi bem complicado” explicou.

O processo de interiorização DTV também requereu mudanças na estrutura para o jornalismo local. “Criamos infraestrutura pro jornalismo para oferecer uma proximidade maior com a comunidade” destacou Barbosa.

Para discutir os melhores modelos, mais eficientes tanto na transmissão como também no consumo de energia e ainda viável economicamente, Vanessa Oliveira (SET/ Pro Television) apresentou os cuidados que o profissional deve ter na hora de escolher os equipamentos. “No passado, escolher uma boa antena, com uma boa potência, era boa parte do trabalho, agora não, a escolha dos parâmetros pode implicar em abrir mão de outros” constatou ela ao apontar que para cada parâmetro existente na transmissão analógica são mais quatro novos parâmetros a serem analisados na transmissão digital.

O engenheiro eletrônico Sok Won Lee (Rede Massa), que trabalha desde de 1981 com radiodifusão, disse ter ficado admirado com o processo de digitalização da Rede Globo, mas destacou que grande parte das emissoras não conseguem acompanhar a implementação por falta de recursos financeiros. Lee apresentou soluções viáveis tecnicamente e de baixo custo para que as retransmissoras consigam cumprir o calendário do desligamento do sinal analógico.

Enquanto no Brasil o trabalho é intenso na interiorização do sinal, no Japão esse processo já aconteceu. Emerson Weirich (SET/ EBC) passou dois meses lá estudando o processo de interiorização da DTV dos japoneses. Baseado no sistema implantado pela NHK, Weirich apresentou um estudo desenvolvido sobre a emissora de TV, do modelo de distribuição e grade de programação. Uma curiosidade apresentada por ele no painel da sala 12 foi com relação à recepção do sinal, onde cada aparelho televisor tem um cartão de liberação do sinal. “Lá o morador precisa pagar uma taxa para ter acesso ao sinal de televisão, tanto à TV pública quanto à televisão comercial” contou.

Weirich apresentou ainda a infraestrutura utilizada pela NHK na distribuição do sinal. “Temos realidade bastante diferentes no Brasil, extensões territoriais bem maiores, mas acredito que podemos aprender com o modelo e pensar em novas medidas exclusivas pra realidade brasileira” pontuou. Durante a apresentação o pesquisador da EBC mostrou o planejamento da NHK para a transição do sinal analógico para digital. De acordo com ele, além da publicidade sobre a mudança do sinal, os anúncios na própria TV começaram a ser veiculados três anos antes do desligamento, e avisos foram inseridos na transmissão. “Cem emissoras fizeram o swit-off ao mesmo tempo, o que demonstra a eficiência do planejamento na digitalização” finalizou.

O Congresso conta com 44 sessões e 220 palestrantes distribuídos em 4 auditórios simultâneos, em um fórum que congrega um grupo seleto de mais de 1.600 profissionais que discutem as questões mais relevantes do setor intensamente durante um período de 4 dias.

O evento reúne de 24 a 27 de agosto de 2014 no Pavilhão Azul do Centro de Convenções e Exposições Expo Center Norte em São Paulo, especialistas do Brasil, Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, que discutem os principais aspectos da produção, transmissão e distribuição em TV, além de temas relacionados a vídeo, cinema, rádio e internet. Entre os temas destacados está o switch-off da TV, as interações entre TV e Internet, os desenvolvimentos tecnológicos da Copa do Mundo e muitíssimos outros temas de atualidade da indústria.

* Por Antonio Araujo, mestrando UFSCar

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