Desafios do VOD e OTT

A sessão que pretendeu discutir os desafios de plataforma que vem, hora competindo e hora ampliando a distribuição de conteúdo com a televisão aberta teve início com a fala do Presidente do SBDTV, Roberto Franco fazendo uma contextualização da utilização desta plataforma no Brasil e no mundo, com ênfase no mercado americano. E é possível perceber que esta modalidade está sim, impactando o mercado americano, principalmente o mercado de TV paga. Aqui no Brasil, Franco chama atenção para que neste momento em nosso país, “estamos vivendo uma guerra aberta”, pois não há modelos de negócios definidos, não há regulação e não há controle por parte do radiodifusor. O foco deve estar no consumidor, afirma Franco. As demandas do consumidor que quer mais qualidade, controle de ver o que quiser onde e como e interatividade. O desafio é grande no Brasil.

robertofranco

Roberto Fraco, moderador da Sessão: Desafios do VOD e OTT

Por conta disso, Marcelo Bechara – Diretor executivo/Grupo Globo – iniciou sua fala apresentando os dados do consumo de conteúdos na internet e a faixa de público que consome toda essa gama nas diversas plataformas e redes sociais. Posto isso, Bechara entrou especificadamente na questão do vídeo sob demanda e classificou os tipos de VOD disponível atualmente em:

  • Tradicional VOD – permite baixar o conteúdo por um preço fixo;
  • Subscription – permite o acesso com uma assinatura mensal;
  • Ad-supported – permite acesso gratuito ao conteúdo suportado pela publicidade
  • Catp-up TV – permite ver o conteúdo da TV através de aplicação com ou sem publicidade e assinatura.

Bechara defendeu no futuro, o que hoje chamamos de plataforma serão na verdade os canais e que os canais atuais serão as plataformas, isso quer dizer que chegaremos ao ponto de o usuário poderá ser obrigado a escolher os canais que quer e excluir muitos outros, e isto não é interessante para a TV aberta. Ele afirma acreditar que a televisão aberta não irá acabar, mas como sua natureza é gratuita e de massa ela irá se dedicar a uma programação noticiosa, esportiva e para eventos de massa. E as pesquisas demonstram isso. Bechara apresentou uma série de dados que demostram essa tendência de consumo por parte da audiência mais jovem que tem acesso a toda esta estrutura de distribuição.

Bechara ainda se mostrou preocupado com a falta de regulação do VOD no Brasil, que de acordo com ele, propositalmente não incluiu na lei do Seac 12.485/2011 o VOD e que a Ancine, a partir dessa própria Lei, passou a ter a obrigação de seguir a direção do Conselho Superior de Cinema. Este conselho publicou em 2015 uma intensão, ainda sem conclusão, de se criar uma regulação para o VOD, mas isso ainda não tem data e nem as diretrizes para esta regulação. E o que está por trás disso, imposto, na opinião de Bechara. Os impostos do Condecine e ainda, a questão das cotas, direitos autorais, neutralidade da rede e publicidade. Questões que influenciam diversos setores e players do mercado. A questão é delicada e por isso mesmo não foi ainda tradada. Em quanto isso, o Brasil vai tentando se adequar ao gosto do consumidor e suas novas tendências de consumo em um terreno desconhecido o que deixa tudo ainda mais difícil para a TV aberta.

Rodrigo Navarro – Diretor Multiplataforma/SBT – trouxe sua contribuição para o debate com a visão do negócio de OTT e suas similaridades e diferenças com o sistema aberto. Como as empresas de radiodifusão podem competir nesta nova ecologia dos meios? O mercado de OTT no Brasil é um mercado relevante, tem crescido significativamente nos últimos anos, então a tendência está confirmada e deve continuar nos próximos anos. Para Rodrigo, os principais focos de um negócio de OTT é o telespectador. Os sistemas de OTT devem ser usados como agregadores para a TV aberta e não concorrentes. Isso cria ameaças e oportunidades.

O modelo de lucro de uma emissora aberta é robusto, pois combina propriedade padrão e administração da cadeia de valor, mas ao mesmo já existem ferramentas e agentes globais distribuidores de conteúdo que oferecem modelos de geração de valor para produtores de conteúdo.

Skip Pizzi, representante da NAB, trouxe sua experiência nos Estados Unidos neste segmento, que se assemelha ao brasileiro, mas com números mais expressivos, visto a popularidade da internet naquele país e que vem impactando o mercado de TV paga. Isto ligado diretamente com o gosto da audiência que pode se libertar do controle da programação tanto da TV aberta quanto na paga, mas como a TV aberta é gratuita, a queda se da na economia que o usuário faz ao deixar de assinar o pacote de TV paga.

O mercado de OTT nos Estados Unidos está concentrado em 6% das residências.   2 a 5 casas possuem uma TV conectada e mais 1 entre 3 são assinantes de streaming vídeo. Quando a pesquisa se debruça na audiência com idade entre 18-34 anos, os números são ainda mais expressivos.

Pizzi observa que os principais desafios para o SOVD são o trafego na internet, Netflix e youtube sozinhas são responsáveis por mais da metade do trafego de banda larga no horário nobre em 2015. Previsões apontoam que 80% do trafego mundial de internet será vídeo em 2019/20. São necessárias várias assinaturas de serviços o que pode comprometer o uso dos serviços OTT.

Seja em qualquer mercado, os serviços de OTT e VOD já confirmaram sua tendência de consumo pela audiência e não há volta nesse caminho.

Feira SET Expo
Horários
30 de agosto: 12h – 20h
31 de agosto: 12h – 20h
1º de setembro: 12h – 19h
Local: Pavilhão Vermelho, Expo Center Norte, São Paulo/SP

Por Fernando Moura, Isaac Toledo, e Francisco Machado Filho, em São Paulo

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