Obsolescência e Tecnologia

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Para quem participa de seguidos eventos relacionados ao mercado broadcast, uma coisa já ficou bem clara: O modelo de negócio da televisão está mudando. E se não está, deveria estar, pois as mensagens sobre a transformação no padrão de comportamento de como as pessoas consomem mídia já é bastante urgente.

Focando-se nas tendências que devem tomar conta da mídia digital para os próximos anos, o SET Regional Sudeste apresentou duas palestras em sua primeira parte que trouxeram questionamento para os presentes. A primeira foi de Daniela Souza, da AD Digital, que abordou novas formas de distribuir e monetizar conteúdo seguida por José Raimundo Cristovam, da Unisat que trouxe uma espécie de provocação cognitiva em seus slides.

“Precisamos entender que não somos mais uma indústria que trabalha na transmissão, mas sim, na produção e entrega de conteúdo e entretenimento”, começou Daniela Souza. De acordo com a palestrante, o foco para entender esta mudança é capacitação do profissional. “O potencial humano precisa estar pronto para operar estas novas tecnologias, e assim tomar controle delas”, explicou.

Em seguida, foi apresentado uma série de estudos e números que ilustram a importância que o consumo de mídia por meios não tradicionais tem tomado. “Em 60 segundos de internet, mais de 600 novos vídeos são postados no Youtube, mais de 700 mil pesquisas são feitas no Google. O consumo de mídia também segue estes números, é um montante grande que já não temos mais controle”, contou Souza.

De acordo com a palestrante, um dos principais desafios do broadcaster hoje é que não há como competir com a indústria Telecom. “Só em venda de dispositivos móveis, 2013 representou um faturamento de US$ 750 bilhões para o mercado Telecom. Enquanto isso o faturamento publicitário da Televisão em nível mundial no mesmo período foi de US$ 358 bilhões. Sabendo que só SMS rendem US$ 100 bilhões para as Teles, nosso mercado inteiro é só três vezes maior que somente um pequeno segmento deles”, contou.

Outro dado que justifica a ideia da palestrante é o crescente de audiência. De acordo com uma pesquisa realizada pela Ericson, em 2019 o vídeo na internet deve superar a audiência da TV. “Se levarmos em conta este crescente de audiência e de dispositivos, o que gera ainda mais demanda por mídia, fica claro que o futuro do nosso negócio é a expertise de produzir e entregar conteúdo em múltiplas plataformas”, concluiu.

Um alento
José Raimundo Cristovam subiu ao palco do auditório da rede gazeta para fazer uma espécie de chamado. O especialista iniciou sua palestra com uma espécie de atualização do que tem acontecido no mercado broadband, quase que para chamar a atenção dos presentes para o crescimento e importância do segmento.

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Em seguida começou com cenários das atualidades sob diferentes pontos de vista, começando com as empresas de telecomunicações. “As Teles também estão preocupadas com o leilão 4G, pois vêem o governo disposto a fazer de tudo para faturar, deixando todo o ônus para eles”, explicou.

De acordo com Cristovam, este tipo de percalço, somado aos problemas já comuns do setor, como por exemplo a rápida obsolescência de sua rede de infraestrutura, está prestes a gerar um problema de fluxo de caixa. “Só de mitigação, as Teles estimam que vão precisar gastar R$ 6 bilhões. Somando ao custo dos leilões, são R$ 15 bilhões dos quais muitos não estavam orçamentados”, contou.

Contrabalançando o pleito, o palestrante trouxe os números relativos ao serviço de acesso à internet móvel. “Só no mês de fevereiro de 2014, tivemos 110,19 milhões de acessos de banda larga móvel no Brasil. Se cada mensalidade desta custasse R$ 10,00, fazendo as contas, já dá pra visualizar o tamanho do faturamento destas empresas”, explicou.

Em seguida Cristovam abordou o ponto de vista da TV Aberta e sua evolução. “Este ano a TV Aberta no Brasil comemora 50 anos. Destes 7 são de TV Digital. Ou seja, estamos lutando para implantar uma tecnologia de 7 anos atrás. Em termos de evolução tecnológica, onde se troca de computador a cada 3 anos, isso é antigo, é velho”, provocou.

O palestrante seguiu fazendo uma série de questionamentos sobre a tecnologia que temos na transmissão e no que poderíamos ter. “Quando vamos ter Full HD na TV aberta? E áudio 5.1 AAC? E interatividade? E integração broadcast-broadband (IBB)?”, afirmou Cirstovam, e concluiu “Os consumidores já estão se preparando para receber sinal em UHDTV, e se a TV aberta não for capaz de fornecer, ele vai assinar um serviço que o faça”.

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