Mundo IP, sistemas de emissão SFN e transmissões via satélite debatidas no SET SUL 2014

Durante o primeiro dia do SET Regional Sul 2014 foram debatidos temas importantes para o mercado broadcast, entre eles, estruturas de rede, estrutura IP, sistemas de SFN, antenas de transmissão e transmissões via satélite no Brasil.

Guilherme Castelo Branco da Phase explicou aos participantes do SET Sul 2014, na palestra “Sistemas de infraestrutura de TV”, os diferentes tipos de formatos, rápidos avanços de tecnologia e os limites da interface elétrica SDI são alguns dos desafios enfrentados hoje pelo mundo da radiodifusão.

Como a convergência para uma arquitetura IP se mostra inevitável a distribuição baseada em SDVN (Software Defined Video Network), uma solução da Evertz que proporciona agilidade, simplicidade, robustez e flexibilidade em uma infraestrutura inteiramente IP. “Hoje tudo pode ser IP. O grande desafio do radiodifusor é como vou trabalhar no mundo IP, de fato já podemos ter transporte de sinais sem compressão de 6 HD em uma interface 10GbE”, disse Castelo Branco.

Para ele, de todas formas a maior dificuldade é que o mundo IP não foi pensado para o mundo broadcast mas neste momento precisamos de incluir o TI nas emissoras e precisamos trabalhar com redes SDN.

Castelo Branco afirmou que os sistemas têm limitação de capacidade e controle e gerência complexos, mas para quem esta a pensar em um projeto para ser utilizado nos próximos anos é preciso ter uma operação híbrida e transparente. “Para rotear um sinal em IP, hoje o radiodifusor pode receber um equipamento e rotear os conteúdos com interfaces simples e flexíveis”.

“Já estamos trabalhando em hipóteses de trabalhar com 12GbE de trafico de sinal pelo que a arquitectura nos próximos tempos estará pronta para trafegar e rotear sinais em 4K e trabalhar com produtos customizados como o apresentado na última NAB com o trabalhado desenvolvido pela Evertz na ESPN nos Estados Unidos”.

A seguir, Léilo Ribeiro da Star One trouxe ao SET Sul a palestra “Comunicações via Satélite, aplicação em Broadcasting”, onde descreveu a frota da Star One, as suas aplicações Via Satélite, SNG, e as aplicações que serão utilizadas na próxima Copa do Mundo e Olimpíadas

Segundo ele, o satélite Star One C2 é a “jóia rara da empresa, por ser muito concorrida e ter uma demanda muito grande tanto em sinal analógico como digital” já que ocupa a posição orbital mais importante para o mercado de Broadcasters no Brasil, pois transmite os sinais das maiores emissoras de TV do país.

Sua operação esta estrangulada com uma taxa de ocupação altíssima, com “28 transponders em Banda C, 14 em Banda Ku e 1 Banda X (uso militar)” e de fato “pensamos que tem uns 25 milhões de antenas apontadas a ele, além de uns 3 milhões da Claro TV”.

Ainda explicou que o lançamento do Satélite Star One C4 (posição 70º) está previsto para o terceiro trimestre de 2014, aumentando a capacidade em Banda Ku, onde opera o DTH da Claro TV, do grupo Embratel. Ele terá 48 transponders em Banda Ku e uma expectativa de vida útil de 15anos.

Para a Copa, a Embratel espera utilizar os satélites BrasilsatB4 e Star One C3, com mais de 150 unidades móveis comissionadas no Brasil que tem de trabalhar com outorga e licença da ANATEL de operação. Para a Copa a Star One criou uma tabela especial de preços que inclui valores por dia, por semana e por todo o evento tanto em banda C e banda KU.

Entrando no mundo das antenas de transmissão, José Elias da If Telecom na palestra “Interiorização DTV. Soluções e considerações”, abordou aspectos de interiorização da TV Digital focada nos sistemas irradiantes.

Para isso explicou alguns aspectos técnicos referentes às antenas mais utilizadas, visando vencer as limitações mais comuns encontradas em campo e aplicáveis a SFN e “Gap Fillers”, assumindo que são muito importantes os “intervalos de Guarda” que devem ser “ser escolhidos levando-se em conta as distâncias entre estações de mesma frequência e as antenas e seus diagramas de irradiação, escolhidas (diagrama, Tilt, apontamento) de forma a garantir que as recepções na área de interesse caiam dentro do intervalo de guarda”.

Elias afirmou que para instalar redes SFN “escolhendo antenas levando em consideração a cobertura desejada e aspectos de ISI” estabelecendo “regiões fora de áreas de interesse eventualmente podem ficar com recepção além da banda de guarda. Futuramente, só deverão ser cobertas com alocação de novas frequências”.

Ainda explicou casos concretos de Gap Filler e afirmou que o desafio nesta área é o ISI, definindo a banda de guarda e com ela a isolação que depende de escolha de diagrama de irradiação; definição de posicionamento de antena (Tilt elétrico+mecânico +azimute); espaçamento vertical entre antenas RX e TX; e cancelamento de eco do equipamento repetidor.

Elias explicou o uso de painéis UHF banda larga e de baixo custo, bem como avanços em desenhos de novas antenas cilíndricas e com faixas maiores de forma a atender a esse novo tipo de demanda. Ainda foram abordadas contra-medidas de forma a garantir isolação e cancelamento de ecos, banda de guarda e ajustes em campo com experiências práticas e sugestões de implementação.

Finalmente, o executivo de If Telecomo descreveu os principais pontos e cuidados que devem ser observados para uma ótima condução na escolha de sistemas radiantes, bem como de implantação nessa fase de interiorização até o “switch-off” analógico.

Depois de um intervalo, Glenn Zolotar da Hitachi Kokusai Linear na palestra “Redes de Transmissão Digital para Interiorização” explicou que o Brasil vive hoje o desafio de expandir a cobertura da TV Digital no interior, e diante deste cenário, apresentou conceitos, possibilidades e soluções tecnológicas que podem viabilizar a implantação de sistemas de distribuição de sinais e a transmissão digital, para o que denominamos a Interiorização Digital”.

Para Zolotar, em um escenario de implantação da TV Digital nas cidades do interior, com a interiorização em MFN e SFN a partir de “soluções que atendam aos dois tipos de rede e às várias formas de distribuição, bem como às diversas necessidades dos radiodifusores serão necessárias”.

Para isso pode se distribuir sinal mediante satélite; retransmissão terrestre; micro-ondas; Radio IP; micro-ondas digital; redes IP; fibra ótica etc. Uma boa solução seria, para Zolotar;  a distribuição via satélite porque “a banda no satélite necessária é variável de acordo com a taxa de dados utilizada”  utilizando um “BTS comprimido” usando a banda de 6MHz no satélite e transmitindo SFN com “configuração mais simples nos pontos de retransmissão”.

Para SFN com recepção terrestre usamos um Gap Filler que “é mais complexo na sua instalação”, mas nele a “degradação praticamente nula. Alta tolerância à realimentação, e é estável com eco até 5dB positivos”.

Finalmente, Zolotar se refiriu micro-ondas BTS nos quais a faixa de frequência é de 7,425 a 7,725GHz (BW = 7 MHz) com potência 0,5W; nível de recepção -78dBm a -35dBm; gerenciamento via Ethernet Web Server; alimentação 90 a 240Vac; e simplex.

Zolotar explicou que a tendencia é ir para Rádio IP, um micro-ondas via IP, com operação em Serviço Limitado Privado (SLP); montagem split (IDU/ODU); o pção de modulação de acordo com taxa e robustez necessárias, até 170 Mbps em 7,5 GHz e até 200 Mbps em 6,5 GHz. “Radio IP é uma solução versátil, que possibilita mais que a simples transmissão do BTS, como a monitoração do equipamento de transmissão, internet, VoIP, telemetria etc.”

Voltando a setor de transmissão, Ramiro Frugoli Franco, da Ideal Antenas, na palestra “Análise de cobertura, instalações” explicou a deformação de diagrama de irradiação quando realizado a instalação em lateral de torre; otimização do diagrama de irradiação quanto a instalação em lateral de torre; e quais as verdades e lendas em relação a uma instalação em lateral de torre.

Para ele, a análise de cobertura depende de polarização circular e elíptica; transmissão de FM e TV Digital; reflexão e multipercurso e maios variedade de recepção. “De todas a principal é a polarização”, explicou Franco para quem uma vez determinada a polarização temos de partir para os “fatores de cobertura”. Para ele a torre interfere no diagrama, as vezes positivamente e outrras negativamente, dependendo da “situação”.

Segundo Franco,a Resolução 284 de 07/12/2001 considera ser “parte integrante do sistema irradiante a antena, sua estrutura de sustentação e os dispositivos destinados a transferir a energia de radiofrequência do transmissor a antena”.

Finalizando o primeiro dia do SET SUL 2014, Seégio Martines, da SM Consultoria, ministrou a palestra: “Interiorização da TV Digital: desafios e soluções com casos reais”.

Martines afirma que “em qualquer artigo ou palestra sobre a TV digital no Brasil encontramos a palavra “desafio” ou “desafios”, principalmente quando o assunto é a interiorização” por isso na sua palestra no SET Sul, ele afirmou que é fundamental pensar que hoje temos de realizar “em 10 anos ou que se fez em 60 anos, passando do analógico para o digital”.

Para isso precisamos preparar o desafio de este projeto de implantação da TV Digital e com ele criar um projeto viável. Uma vez concebido o projeto temos de planifica-lo. Feito isto é preciso contratar serviços, e finalmente, executar.

Assim, com base em situações reais encontradas ao longo de projetos já concluídos, em implantação ou na fase de planejamento, analisar o projeto particular e avançar com ele de forma clara. Martines, “apontou algumas soluções viáveis, desde a concepção, aspectos de legislação e tipologia de sites de retransmissão até os cuidados com a infra-estrutura, mão-de-obra e logística, entre outros”.

Também discutiu as opções de mobilização e investimento, como a terceirização do serviço e o compartilhamento de infra-estrutura entre usuários.

O SET Regional Sul, Seminário de Tecnologia de Televisão e Multimídias, Gerenciamento, Produção, Transmissão, Distribuição de Conteúdo Eletrônico Multimídia, Interatividade, Mobilidade, Interferência, Broadcast e Broadband realiza-se em Porto Alegre de 13 a 14 de maio de 2014.

Assista ao vivo em http://www.set.org.br/set_video2.asp

Fernando Moura, em Porto Alegre

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