O meu primeiro beijo

Vida Alves e Nilton Travesso participam de Hot Session e recebem prêmio surpresa no Congresso da SET 2015

65anosTV

A sessão Os pioneiros: como foi a descoberta e a invenção do jeito brasileiro de fazer TV contou com os depoimentos emocionados de Vida Alves e Nilton Travesso e integrou a Hot Session 65 anos: TV no ar no Brasil, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (27), no Congresso SET 2015. Os dos “pioneiros” da TV brasileira falaram da carreira e da trajetória de quem viveu a televisão desde o início e, ao final da sessão, foram surpreendidos com o anúncio do Prêmio Vida Alves, idealizado por Fernando Gueiros (TV Globo) e entregue pelo presidente da SET, Olímpio José Franco.

Antes da homenagem, os palestrantes contaram momentos de suas trajetórias de vida e, ao mesmo tempo, rememoraram histórias de emissoras e de personagens que construíram os 65 anos da televisão no país. Travesso é um dos mais importantes diretores artísticos nacionais e trabalhou nas principais emissoras de TV do país, como Record, Manchete, SBT e Globo. Começou como diretor de telenovelas nos “grandes teatros” da TV Record, em 1953, e dirigiu sucessos como Família Trapo e os Festivais da Música Popular Brasileira, na década de 1960. Foi para a TV Globo, na década de 1970, e comandou programas como Fantástico, Som Brasil, Balão Mágico e TV Mulher. Na emissora carioca, também foi responsável pelas novelas Sinhá Moça e Direito de Amar.

Assim como Travesso, Vida Alves é uma das pioneiras da TV no país. Ela protagonizou o primeiro beijo na telinha, ao vivo, em par romântico com o ator Walter Forster, na novela Sua Vida Me Pertence (1951). Sobre o primeiro beijo da história da televisão brasileira, Vida exclamou: “Foi beijo técnico sim! O Walter [Forster] queria fazer novela, mas, havia um estúdio só na TV Tupi para isso. Ele negociou com um diretor à época. Só que esse diretor negou mais estúdios para nós. Então, ele disse para o diretor: ‘eu continuo com um estúdio só, mas, você vai liberar um beijo para chamar a atenção’. O diretor relutou. No fim, fizemos do mesmo jeito. Ele [Foster] disse que me escolheu porque eu era esposa de um italiano e, na Itália, havia beijo técnico nas TVs”.

A atriz contou, ainda, que os beijos eram reais e arrancou sorrisos dos palestrantes: “Nós não púnhamos a mão, como nos beijos italianos. A boca era fechadinha. Não tinha aquela engolição que tem hoje. Uma vez, um rapazinho, em uma faculdade, me perguntou: ‘quantos beijos você deu na sua carreira?’ Eu respondi: ‘acho que menos do que você deu ontem a noite’”, divertiu-se.

“Nós éramos jovens sem juízo”, lembrou Vida Alves. “Quando eu estava na faculdade, era atriz, redatora e estudante. Quando chegou o video tape, veio um galã do Rio [de Janeiro] para contracenar comigo. Ele queria ficar repetindo as tomadas. Na terceira ou quarta vez, me enchi daquilo e falei ‘essa é a última’. A gente decorava mais de 400 deixas para ficar no ar por uma hora”, exclamou.

premioNilton Travesso rememorou o início da carreira, em 27 de setembro de 1953, quando a TV Record, foi inaugurada: “Quando o Paulo Machado de Carvalho resolveu montar a televisão, ele deu um curso para quarenta e oito alunos. Desses quarenta e oito, dezesseis foram contratados. Eu fui um deles. A TV nessa época não tinha forma. Mas, ela tinha emoção. Quando a Record começou, nós conseguimos trazer a cultura de dramaturgia do teatro. Daí vieram Cassilda Becker, Cleide Yáconis. Tivemos grandes mestres, que vieram de fora. Uma grande atriz precisa de 50% de amor e 50% de disciplina. Você fazer um grande teatro, ao vivo, como nós fazíamos, era um desafio enorme. Enquanto um ator interpretava, em plano fechado, ele estava trocando de saia, de calça, fora do quadro. O planejamento tinha que ser incrível”, destacou.

O diretor frisou a importância de eventos como a Hot Session 65 anos: TV no ar no Brasil: “Em uma hora, é muito difícil resumir toda uma vida de trabalho na televisão. Mas, momentos como esse que a SET está proporcionando, são muito importantes. A história é muito grande, e é apaixonante”, exclamou Travesso.

O moderador da sessão, Fernando Gueiros, antes de revelar a surpresa preparada pela SET (o Prêmio Vida Alves), justificou que a “A Televisão é uma história de Visão, Valor e Vitória” e relacionou os nomes dos homenageados, Vida Alves e Nilton Travesso, às letras que formam a palavra TV. Justa honraria aos pioneiros.

Olímpio Franco destacou a relevância da homenagem. “É muito importante, porque os pioneiros tem que ser reconhecidos e valorizados em vida. Eles têm muita coisa para contar. Existem muitas limitações que eles sofreram, como dificuldades técnicas e falta de recursos. Então, precisam ser valorizados. A televisão tem, hoje, essa pujança e essa importância para o Brasil graças à gente como eles, que estiveram reunidos, desde o início dos anos cinquenta. O que a gente está tentando, com uma sessão como essa e com a brilhante ideia do prêmio que o Fernando teve, é prestigiá-los. Eles merecem”, finalizou o presidente da SET.

Equipe Revista da SET/ProEx Unesp: Fernando Moura e Gabriel Cortez, em São Paulo

 

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