SET Centro-Oeste: falta de cobertura e ‘exclusão digital’ preocupam especialistas

Representantes de emissoras e entidades contaram os desafios com os quais se depararam até o momento no processo de digitalização do sinal de TV no Brasil 

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Gunnar Bedicks (Seja:Digital), na comunicação “As atividades desenvolvidas pela Seja:Digital no processo de liberação da faixa de 700 MHz“,  apresentou, na manhã desta quarta-feira (22), informações a respeito do processo de desligamento do sinal analógico em Brasília e afirmou que os atores envolvidos no switch-off brasileiro devem se preocupar, sobretudo, em relação à cobertura do sinal digital.

img_5325“O Brasil tomou a decisão de fazer o processo de forma exclusiva e diferente do mundo todo. No Reino Unido, nada aconteceu enquanto a cobertura não estivesse em 98,5%. O satélite free-view foi complementar para atingir essa meta por lá. No Japão, o desligamento só ocorreu com 100% do sinal coberto. Por aqui [no Brasil], não há meta de cobertura estabelecida antes do desligamento. Há meta de recepção, com os 93%, mas não há um critério de cobertura. Primeiro vendemos a faixa e, depois, criamos modelos para limpar a faixa, que deve ser entregue até 2018. Atingir o índice é extremamente difícil, mas é possível”, afirmou o representante da Seja:Digital.

Paulo Henrique Balduino (Abert) também considerou a questão da cobertura em sua explanação.“Fizemos o switch-off aqui em Brasília chegando a quase 90, 92% de digitalização. A capital mostrou que o índice é alcançável. Estamos trabalhando de forma a manter as metas que estavam estabelecidas na portaria. Agora, pensando no que precisamos fazer, alguns ajustes serão necessários em relação à cobertura. Outro aspecto que nos preocupa muito é a recepção. Por mais esforço que tenha sido feito, há casas em que a instalação não foi bem realizada”.

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Bedicks, Balduino e Weirich (esq. para dir.) na “Sessão  SET: Espectro da radiodifusão – panorama mundial, switch-off e Gired

As experiências das emissoras

Fernando Mattos, gerente técnico do SBT de Brasília, apresentou uma cronologia do processo de implantação de TV Digital na emissora e explicou que os desafios foram identificar as áreas de sombra de cobertura, realizar a operação em rede SFN com diferentes fabricantes e cumprir os prazos e os custos estabelecidos.img_5360

“Durante a análise, realizamos vários testes para sabermos como o nosso sinal estava distribuído na cidade. Utilizamos, para isso, um sistema de medição de campo e contratamos uma empresa também para isso. Fizemos workshops com antenistas, dando ênfase à detalhamentos técnicos e explicando o que era MER e o que era BER,”, afirmou.

Luciano de Melo Silva, gerente de engenharia e TI da Band de Brasília, também comentou os desafios com os quais a emissora se deparou na digitalização.

“A portaria 378, de 22 de janeiro de 2016, deve ser o livro de cabeceira de qualquer profissional que esteja envolvido na digitalização de uma emissora. O texto define os cronogramas de inserções obrigatórias e uma realidade nas emissoras é termos geradores de caracteres apenas nos switchers de produção. É o que ocorreu conosco. Chegou um momento em que precisamos colocar um gerador de caracteres ou um logo inserter no master.”

IMG_5371.JPGO palestrante também contou que a emissora precisou se atentar às diversas mudanças legais que ocorreram no meio do percurso. “É necessário prever um equipamento para fazer a conversão do sinal analógico e ainda inserir o logo inserter. Eu deixo aqui, também, uma sugestão de alteração da norma. A tela preta faz com que o gastos de energia sejam muito maiores. Uma tela branca seria mais viável. É imprescindível, também, a manutenção da torre do Plano Piloto para as transmissões do sinal digital.”

A Band desenvolveu um projeto SFN próprio, segundo Silva. “É um investimento que se paga ao longo do ano em comparação às emissoras que optaram pelo aluguel de retransmissoras.”

Tomaso Papi, engenheiro da Record Brasília, afirmou que o primeiro objetivo da emissora foi igualar a cobertura do sinal. “O segundo objetivo foi igualar a experiência e a qualidade do sinal. A vantagem do sistema SFN adotado é que a rede é totalmente independente. Utilizando o mesmo canal, fizemos testes de recepção em movimento dentro de um carro e dentro de um ônibus, ambos percorrendo o Plano Piloto e indo até as cidades-satélites. Utilizamos recomendações internacionais para aferição em movimento. Percorremos mais de 6 mil km no DF, registrando mais de um milhão de amostras”, contou.

Tiago Cunha, engenheiro da Globo em Brasília, lembrou que a emissora iniciou o ciclo de digitalização em 2014 e, por isso, teve tranquilidade para abordar o planejamento pensando mais nas experiências de recepção das pessoas. “O desafio era não deixar nenhum receptor para trás. Dividimos a população em grupos: idosos, carentes, desavisados e autossuficientes. A nossa área de comunicação fez palestras em shoppings, rodoviárias, parques, faculdades e, com isso, atingimos mais 50 mil pessoas que, pelo menos, tiveram um primeiro contato com o tema.”

Carlos Cauvilla, diretor de engenharia e tecnologia da TV Anhanguera, lembrou que a afiliada da Globo em Goiás trabalhou com um conceito de atuação integrada. “Temos um grupo de coordenação entre as áreas de recursos humanos, jornalismo, tecnologia, marketing e programação. Definimos, também, um público alvo e, com base nesses diferentes públicos, definimos as ações a serem realizadas”, contou.

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A tecnologia de satélite acelerando a digitalização

Nas palestras da tarde desta terça-feira (22) no SET Centro-Oeste 2016, o diretor de vendas da Eutelsat Ricardo Calderón afirmou que a migração digital está progredindo rapidamente em todo o mundo e lembrou que o padrão ISDB-T vem sendo adotado em 20 países na América Latina. “O México tem a maior taxa de digitalização entre todos os países latino-americanos e a conclusão do processo é esperada ainda para 2016. Na América Central e no Caribe, apenas 5 de 11 países começaram a migração. No Brasil, aliás, já há uma grande preocupação do mercado em relação à exclusão digital após 2023″, afirmou.

O grande desafio nos países em que a TV Digital está sendo implantada é como garantir o switch-off da rede analógica com um orçamento limitado e sem receita, segundo o palestrante, e, além disso, como alcançar locais de difícil acesso a fim de melhorar a cobertura de redes de TV Digital e, assim, evitar a exclusão digital. A solução, na visão de Calderón, é a distribuição de TV digital via satélite. “Com o satélite, de uma única fonte geradora, é possível distribuir para RTV, distribuir para reforçadores e distribuir para headends de Pay TV, com custo benefício viável, ampla cobertura e independência de infraestrutura.”

Com um estudo de caso na Europa, mais precisamente na França, Calderon explicou como o governo do país criou um serviço via satélite free-to-view, que possibilitou enviar sinal de TV Digital via satélite aos telespectadores que não tinham recepção de TV Digital Terrestre. “Essa foi uma forma que o governo francês encontrou para não deixar uma parte da população do país excluída do processo de digitalização do sinal de televisão aberta”.

A Eutelsat está disponibilizando desde maio, para o Brasil, o satélite 65 West A. “É um satélite tri-banda, com centro de controle e central de atendimento aqui no país”. O executivo indicou ainda como, a partir de um canal digital BTS comprimido, o equipamento consegue alimentar em HD a “rede de distribuição digital de uma emissora”.

SET Centro-Oeste 2016

O encontro se realiza nos dias 22 e 23 de novembro de 2016, das 9h às 18h, no Hotel Brasília Imperial (SHS Quadra 3, Bloco H, Brasília-DF).

Programação completa

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da SET.

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