Como é que a gente ouve criando uma ilusão da realidade

Áudio das emissoras de TV debatido na manhã do segundo dia do Congresso SET 2015

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Carlos Ronconi analisou na palestra “Ouvindo com o cérebro” como é “que a gente ouve” e como a televisão cria a ilusão da realidade” afirmando que o ouvido humano é um analisador de espectro de áudio perfeito que permite que o cérebro processe as informações e entenda o que está chegando através do ouvido.

Ronconi, um dos principais engenheiros de áudio brasileiro, disse que o cérebro descodifica o som, recebendo uma informação e transferindo mediante o “Head Related Transfer Function (H.R.T.F)” o que chega a seu interior. Assim, o executivo avançou na sua palestra dizendo que a audição e a visão trabalham juntos para “que possamos entender o mundo, mas a junção dos dois as vezes torna preguiçosa a pessoa, deixando de lado o áudio. No dia a dia, o ser humano trabalha com a relação de ver primeiro e ouvir depois. Nesse sentido, o maior problema de trabalhar em televisão é juntar o vídeo e áudio”.

audio_RonconiRonconi trabalhou na palestra/aula, os erros de sincronismo que acontecem na TV nos dias de hoje, isso porque se o áudio está 2 frames para trás, o cérebro não percebe, mas se é o contrário, o cérebro do telespectador percebe e gera problemas e incomodo. O cérebro percebe na TV o que perceberia na vida real, por isso a complementação que ela dá as vezes atrapalha a percepção. “O cérebro percebe o que entende e o que ele sabe que acontece, mas por exemplo, se colocamos um microfone de lapela em meio à uma multidão, ele não percebe de quem é. Isso quebra a necessidade de ele saber o que está acontecendo no seu redor”, afirmou.

Na palestra, “mixando musicais para TV, conceitos e preconceitos”, Danniel Costa (TV Globo) analisou que é preciso pensar em quem deve operar, qual o limite e que áudio necessitamos e como. Para isso, ele explicou como é feito o áudio dos programas do JÔ, Altas Horas e Domingão do Faustão, no estúdio 3 da TV Globo em são Paulo.

Em uma descrição pormenorizada, Costa explicou onde, como e porque são colocados microfones, caixas de som, etc. “Fica um pouco complicado entregar a operação do áudio aos responsáveis das próprias bandas, porque é preciso juntar entrevistados, bandas próprias e alheias. As vezes pensamos que juntar tudo isso é praticamente impossível”.

“No ‘Domingão do Faustão’ juntamos mudanças de cenários, banda móveis – onde é montada a banda convidada que nos limita em termos de canais (32) e diminuição de vias, optamos por menos vias”, conta o sonoplasta.

“No Estúdio 3 trabalhamos com 4 sonoplastas que estão aptos a operar todos os equipamentos da emissora, que são 6 consoles de áudio que trabalham interligadas com redundância com 144 canais de painel, 30 microfones sem fio e 64 vias de monitor”.

Desses 4 sonoplastas, disse Costa, “eu opero um console para as bandas, o Marco Coutinho que controla os monitores, o Omar Britto Jr. opera a mesa de PA, e finalmente o Vander Fantoni realiza o PGM; fazem um supersom turbinado que trabalha com 4 operadores de captação de som que se encontram dentro do estúdio”.

Estamos em um momento em que se discute quem deve mixar os musicais para TV, “óbvio que os técnicos que trabalham com as bandas conhecem melhor as músicas, nós temos uma desvantagem grande com eles, mas eu tenho que ter uma preocupação básica que é trabalhar para TV, o que gera um compromisso com o telespectador e também para encobrir as falhas das bandas”.

“Na TV Globo fazemos o possível para que os técnicos das bandas possam trabalhar em conjunto conosco, porque todos apreendemos. Não é bobagem trabalhar juntos, o trabalho junto gera um produto melhor. Nesse ponto, quem deve operar? Trabalhamos com operações de risco, gravamos com Multitrack, mas sempre corremos riscos”.

Um dos principais pontos trabalhados por Costa foi tentar definir ‘Qual é o limite entre o conceito artístico e a qualidade?’, afirmando que, por exemplo, “em programas como o Faustão, que gosta de um som muito alto no estúdio, o que as vezes prejudica os participantes do programa devido as necessidades artísticas do condutor, isso porque: Quem deve avaliar a qualidade, de quem é a palavra final? No áudio, o que importa é definir quem deve ter a última palavra”.

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O Prof. Doutor Alfonso Carrera, do Instituto Fraunhofer da Alemanha analisou a introdução do MPEG-H nos sistemas de interatividade e como os sistemas de áudio na TV podem ser interativos. O acadêmico afirmou que a interatividade é um dos pontos fundamentais para o futuro da indústria broadcast.

Carrera afirmou que um dos principais desafios é gera imersão e otimizar o playback em um universo cada dia maior de devices, onde se incluem os smartphones e os tablets. Nesse ponto, afirmou “o MPEG-H pode ser uma excelente solução para melhorar a interatividade porque a interatividade abre novas possibilidades criativas”.

A ideia do acadêmico é trabalhar com a mixagem de múltiplos objetos como começou a realizado em Wimbledon 2011 o que mudou a forma de levar ao áudio ao telespectador. Com o áudio imersivo podemos, disse, mediante a introdução de áudio interativo 3D “levar uma nova experiência aos telespectadores, que estão mudando para sistemas de visualização móvel onde temos um rendering binaural para ser reproduzido em headphone utilizando ATSC 3.0”.

O conteúdo em movimento tem como principal desafio e como o ouvido percebe o conteúdo multicanal tentando eliminar o ruído de fundo mediante o aumento do rango dinâmico que permite otimizar da melhor maneira o áudio de forma móvel, e ainda a experiência se melhora mediante a introdução de uma tecnologia que permite que os diálogos, no caso dos filmes, possam ser ouvidos de forma correta, não só com headphones de alta qualidade, mas também, com equipamentos de consumo básico.

A 27ª edição do Congresso da SET acontece de 23 a 27 de agosto de 2015 no Expo Center Norte, em São Paulo. Este é o Congresso mais importante das áreas de engenharias e novas mídias da América Latina reunindo especialistas dos Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, para debater e analisar a situação atual e as principais tendências em produção, transmissão e distribuição e contribuição de TV. Na edição deste ano o foco passa pelo desligamento analógico da TV e os temas relacionados com esta transição.

SET Expo 2015

A feira será realizada de terça-feira, 25 de agosto até quinta-feira, 27 de agosto. Este ano, o SET EXPO, Feira de Equipamentos, Tecnologia e Serviços aplicados aos Mercados de Broadcasting, Telecomunicações e Mídias Convergentes espera um público de mais de 15 mil visitantes entre profissionais, empresários e executivos do mercado de produção e distribuição de conteúdo eletrônico de multimídia, incluindo TV aberta e por assinatura, rádio, internet, indústria, produção e telecomunicações.

Mais de 200 expositores, representando mais de 400 marcas nacionais e internacionais vindos de países como Estados Unidos, Canadá, Israel, Coréia, Itália, Espanha, Chile, e muitos outros estarão presentes na edição 2015. Ainda a exposição contará com pavilhões internacionais do Reino Unido, Alemanha, Japão, Argentina e Escandinávia.

Como já é costume, siga a cobertura em tempo real do Congresso e o SET Expo na Revista da SET.

Equipe Revista da SET/ProEx Unesp: Nathane Agostini e Fernando Moura, em São Paulo

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