Radiodifusão no Brasil e no mundo

Especialistas da SET e Abert analisaram no Distrito Federal a situação atual da radiodifusão tanto no Brasil como no mundo. Futuro e contexto atual são os eixos da conversa sobre a TV Digital

Tereza Mondino (SET/TM CONSULTORIA), Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo), Paulo Balduino (Abert) e Liliana Nakonechnyj (SET/Abert)

Tereza Mondino (SET/TM CONSULTORIA), Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo), Paulo Balduino (Abert) e Liliana Nakonechnyj (SET/Abert)

A primeira palestra da tarde teve como moderador Paulo Ricardo Balduino (ABERT) e tratou a “radiodifusão no Brasil e no Mundo”. Junto com Liliana Nakonechnyj (SET/Abert), Tereza Mondino (SET/TM CONSULTORIA), e Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo), Balduino analisou a situação atual da indústria e quais são as perspectivas de futuro.

Balduino disse que “a mesa é muito importante, porque junta figuras humanas fantásticas, são amizades da vida pelas tarefas profissionais. Nossa exposição pretende ser uma conversa descontraída e dinâmica que passa pelo relevante valor econômico da radiodifusão, como a radiodifusão está inserida no mundo”.

Ele disse que a TV, como uma experiência compartilhada, não tem igual, “ainda mais em dias importantes, em dias de celebração ou consternação nacional, a tv contribui para um sentimento de comunhão de identidade, para uma visão mais elevada da sociedade e da nação”.

Ele refletiu sobre a radiodifusão, e disse que ela “já não é um serviço garantido” como era antes. Para Balduino, é importante pensar e analisar a radiodifusão por seu valor econômico. “Um valor importantíssimo, tanto que a TV aberta é dominante e está presente em 75% dos domicílios, com 83% de margem de participação de mercado assegurando o alcance de conteúdos de utilidade pública. Estes são valores difíceis de valoração econômica, mas são muito importantes”.

Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo) explicou o valor da TV aberta na sociedade, para isso trouxe a Brasília um estudo realizado no Reino Unido que mostra como a TV é importante como utilidade pública, e como ela é fundamental na produção de conteúdo próprio, “é uma forma de fortalecer e refletir a realidade local”.

Ana Eliza mostrou ainda o “valor futuro da TV” e falou sobre como é a expectativa do mercado em relação à sua capacidade de crescer acima da operação atual, um valor que, segundo ela, voltou a crescer depois de 2014 quando as emissoras voltaram a perceber que era necessário continuar investindo porque a possibilidade de crescer era possível.

Liliana Nakonechnyj (SET/Abert)

Liliana Nakonechnyj (SET/Abert)

A seguir, Liliana Nakonechnyj (SET/Abert) disse que a história da TV é muito importante. “Quando comecei a trabalhar em TV estávamos levando a TV ao Brasil, muitos lugares não tinham sinal. Trabalhamos de uma forma até tosca, porque não tínhamos as ferramentas atuais. Nessa época utilizávamos a rede de contingência para levar o jornal a mais de vinte capitais, mas a novela era trafegada por fitas. Na década de 1980 a TV trafegava de forma lenta, só com a chegada do satélite a TV foi realmente nacional”.

“O que mais me orgulha de isso tudo não é só ter chegado com o entretenimento até as pessoas, senão ter feito chegar ao país inteiro a língua brasileira. No começo as pessoas não sabiam se expressar. Penso que hoje as pessoas sabem se expressar graças à TV, e isso me orgulha muito. Existe a internet, mas não existe nada que possa levar o entretenimento, o conhecimento a todos. O futuro é interessante, porque a TV e a rádio são antigas mas permanecem. Ainda não tem nada, e durante muitos anos não vai ter nada que seja tão universal quanto a TV e a rádio”, afirmou Liliana.

Na palestra os conferencistas afirmaram que a indústria passa por um momento de mudança nos hábitos de TV, com novas demandas de conteúdos. Nesse ponto, Ana Eliza afirmou que as audiências linear e não linear trabalham em base à força do conteúdo. “Na verdade o consumo de conteúdo está aumentando, porque em cima do conteúdo linear, os consumidores assistem outros tipos de conteúdos em plataformas não lineares. Isso reforça a importância do conteúdo, um conteúdo local, de grandes eventos”.

Para Ana Eliza os consumidores complementam o seu leque de consumo com outras plataformas. Liliana reforçou e disse que “é difícil afirmar que os conteúdos não lineares possam substituir os conteúdos broadcast”.

Público de Brasília interessado na indústria e o seu futuro

Público de Brasília interessado na indústria e o seu futuro

Tereza Mondino afirmou que o regulador precisa “preservar a TV aberta, e com ela, preservar a cultura do povo, e no nosso caso, a cultura brasileira”, ainda afirmou que o Ministério com a última regulação esta “dando mais uma oportunidade aos radiodifusores para se regularizarem e entrar ao mundo digital”.

Ela explicou as novas portarias do MiniCom e como as RTVs Secundárias analógicas serão adaptadas para a prestação de serviço de RTV Digital em carácter primário. “Enquanto não ocorrer a adaptação e quando não houver viabilidade técnica a operação em tecnologia digital será em carácter secundário”, disse Tereza.

Ainda, Tereza explicou que a nova portaria alterou o conceito de Retransmissora auxiliar estabelecido no Artigo 14 E nas definições da portaria Nº 925, “nesse ponto temos uma incoerência, precisamos revisar isso e trabalhar nesse ponto”.

A modo de conclusão, Ana Eliza disse que é preciso reflexionar sobre o futuro da TV aberta “que continua sendo positiva na localidade, na comunidade onde a ameaça do espectro é grande, por isso precisamos planejar e trabalhar sobre o uso de espectro. Nossa preocupação tem de ser o planejamento do uso do espectro”.

Liliana disse que se bem estamos em um período de crise económica, assim como outras crises esta vai passar e temos de “estar atentos para construir o futuro da radiodifusão.” Tereza disse que o futuro passa pela “segurança regulatória em termos de processo e de uso do espectro, nesse campo, não podemos retroceder”.

O SET CENTRO-OESTE 2015, Seminário de Tecnologia de Broadcast e Novas Mídias Gerenciamento, Produção, Transmissão e Distribuição de Conteúdo Eletrônico Multimídia, terá importantes palestras, com destaque para o desligamento da TV Analógica, migração das AMs para a faixa FM, 4K, infraestruturas IP e interiorização da TV Digital, serviços satelitais, normas e regulações, entre outros. O encontro se realiza nos dias 6 e 7 de Outubro de 2015 em Brasília, Distrito Federal.

O seminário acontece das 9h às 17h no Centro de Convenções Brasil 21 – SHS Quadra 6, Bloco D – Asa Sul 70316-000  Brasília – DF – Brasil, e é realizado pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) com parceria institucional da ABERT e da EBC.

Confira a programação completa em:
http://www.set.org.br/eventos_regionais_centrooeste.asp?ano=2015

Por Fernando Moura, em Brasília

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