Workshop: UHD 4K via satélite: situação atual e cenário futuro

whorshop4KA segunda parte da manhã do primeiro dia do SET Sudeste 2015 foi dedicada a um Workshop sobre tecnologia UHD 4K. Ele contou com 5 palestrantes: Celso Araújo (SET); José Cristovam (SET/Unisat); Pedro Arraes (TV Globo); Marcio Albernaz (Globosat); e Fabio Alencar (Claro TV).

O primeiro a falar foi o Celso Araújo (SET), que ministrou uma palestra/aula introduzindo o tema. Ele disse que a história do UHDTV começou a ser escrita em 1980 quando os pesquisadores japoneses Toyohiko Hatada, Haruo Sakata e Hideo Kusaka realizaram uma pesquisa sobre o Campo de Visão Humano (FOV).

Araújo explicou a origem do 8K como uma “relação psíquico/física que trabalha a percepção da realidade, e como ela influencia na impressão da realidade”. E agregou: “o 8K é o futuro da TV, mas um futuro sem data. Sabemos que haverá imersão e que talvez em 2025 o 8K esteja na casa das pessoas por espectro (broadcast)”.

“Nós, humanos, estamos com problemas para manusear as câmeras 8K, porque não há olho humano que o possa fazer. O humano vai errar se quiser fazer foco nos 8K”, afirmou. E reforçou: “O 8K tem um lado perverso porque há uma nova equação.  Apenas aumentar a resolução para 4K ou 8K não será suficiente. Desde o início dos debates na EBU havia um entendimento compartilhado entre os participantes de que o UHDTV deve ter um claro e elevado valor agregado para os consumidores”.

O diretor da SET disse que “os sistemas HDTV utilizam o campo de visão efetivo do ser humano para visualização das imagens com um ângulo de visão horizontal de até 30º e vertical de até 20º, a uma distância de 3 vezes a altura da tela. Já no sistema UHDTV, as imagens são exibidas de forma a ocupar o campo de visão induzido, aumentando substancialmente a sensação de realidade”.

Araújo disse que o 8K é uma combinação de várias tecnologias emergentes, com maior resolução espacial e temporal, maior contraste e profundidade de cores “HR + HFR + HDR = UHDTV”, afirmando que a questão não é “apenas aumentar a resolução para 4K ou 8K, senão incluir o High Dinamic Range (HDR)”.

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Fabio Alencar (Claro TV)

Satélites
A seguir, José Cristovam (SET/Unisat) realizou um tutorial sobre “Contribuição e distribuição de TV via satélite”, no qual explicou ou conceito de “padrões (standards) que são documentos que fornecem requisitos, especificações, diretrizes ou características que podem ser utilizados de forma consistente para assegurar que materiais, produtos, processos e serviços são adequados para os fins que se destinam”.

Ele explicou como deve ser comprimido o sinal 4K para ser transmitido via satélite e os seus diferentes formatos, DVB-S, DVB-S2 e DVB-S2X. Cristovam avançou e disse que com o DVB-S2 e DVB-S2X há a inserção de processamento de entrada, tanto de TS para DVB-S2 como de GS para DVB-S2X.” Deve-se ao fato de que em 1994 o DVB-S não levou em conta o interfaceamento com redes IP, e sim com encoders de TV. Para o DVB-S2 e DVB-S2X isso foi corrigido e com maiores adequações para IP”.

Ainda analisou as taxas de bit de informação que depende da qualidade do vídeo e da compressão utilizada, das taxas de símbolos e banda ocupada. O tutotial ainda avançou para o enlace de contribuição de TV via Satélite que  é “utilizado como meio de transporte de conteúdos audiovisuais e é constituído por 2 partes distintas: Segmento Terrestre e  Segmento Espacial”.

O primeiro é composto por fração de uso (percentual) de transponder de um satélite de comunicações. Para se fazer uso desse canal de RF normalmente á pago um valor conhecido como custo de segmento espacial, ou custo de aluguel de transponder. O segmento Terrestre é constituído por uma estação terrena de transmissão, mais conhecida por estação terrena de subida ou por estação terrena de  “up-link” e por uma estação terrena de recepção, mais conhecida como estação terrena de descida ou por estação terrena de “down-link”.

No fim, ele analisou os custos de portadora e potência do trasnponder afirmando que os radiodifusores podem realizar o máximo aplicável de link budgets, pois somente eles podem conduzir com racionalidade para análises corretas e para os melhores dimensionamentos possíveis, tanto para as necessidades de segmento espacial como para as configurações do segmento terrestre. E isso é que gera segurança e economia.

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Pedro Arraes (TV Globo)

SAT HD Regional e Cenários Futuros
Na sequência, Pedro Arraes (TV Globo) na sua palestra “A visão de uma TV aberta”, usou como base o projeto da emissora denominado “SAT HD Regional e Cenários Futuros”,  que tem como principal objetivo “migrar a base de telespectadores que assistem à  programação da Rede Globo na parabólica, do  sinal analógico para o digital, em alta definição”. Este projeto, lançado em 2007, pretende complementar a cobertura da TV Digital, onde o sinal terrestre não alcança.

O SAT Regional teve sua primeira geração em 2009/2014, que incluía antena + GPS + receptor e um cartão de acesso, que teve como principais desafios “ter um mapa de cobertura muito restrito, com um custo de caixa muito alto que ia de R$ 400 a R$ 600, colocando o produto num patamar muito alto”.

Arraes explicou que desde 2014 a TV Globo trabalha com a segunda geração do produto que serve “para ser utilizado em todo o Brasil, com uma queda de preço importante após retirar do GPS. Ainda, para os antenistas, não ter GPS reduz o trabalho”.

Segundo ele, após a instalação e conexão do receptor com a antena parabólica, instalada corretamente por um profissional habilitado, o telespectador passará pelas seguintes etapas:   A Globo Nacional será automaticamente sintonizada no canal 1, com um banner sobreposto à imagem. Os outros canais digitais abertos (FTA) também serão sintonizados sem o banner (Record News, TV Escola, TV Senado, TV Câmara, Canal do Boi, TV Justiça, e  etc.

Após a instalação e conexão do receptor com a antena parabólica na TV deve ser feita corretamente por um profissional habilitado, o telespectador passará pelas seguintes etapas: acesso ao website. “O telespectador deverá acessar o site www.sathdregional.com e clicar no botão “Ativar receptor” informando o n° do cartão de acesso (SCID/SCUA), o n° do receptor (CAID), o Estado e cidade do local de instalação e um texto de segurança. Se as informações enviadas pelo telespectador estiverem corretas, a caixa será ativada.

“Hoje temos 10 sinais disponíveis (nacional e 9 regionais), mas aos poucos vamos ir lançando novos sinais locais e regionais”, afirmou o executivo da Globo. Ele disse ainda  que “esta ativação é local e regional” e que o resultado é positivo com um aumento de 3500% nas vendas do aparelhos receptores.

Falando de 4K e do futuro, Arraes afirmou que esta tecnologia trará mais benefícios na hora de assistir TV, com “maior alcance dinâmico e profundidade de bits e espaço de cor aumentado que permitem que o telespectador possa usufruir as suas diferenças”, e, no futuro, disse ele, “é possível que se emitam sinais com esta tecnologia”.

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Marcio Albernaz (Globosat)

O 4K nas programadoras de TV paga
Na palestra, “UHD 4k via Satélite:  Situação atual e cenário futuro A visão de uma programadora”, Marcio Albernaz (Globosat) explicou aos presentes como funciona a cadeia de produção da Globosat, mostrando como é feita a orquestração, a automação e a infraestrutura IP e como desde esta arquitetura se fazem as mudanças de formato e adequação dos produtos para serem exibidos nas diversas plataformas nas quais está inserida.

Ele ainda mostrou como a emissora realiza a distribuição não-linear de conteúdos. “Entregamos para as operadoras conteúdos em 5 formatos diferentes” por meio físico ou via satélite. “Estes formatos têm um impacto na distribuição em diferentes plataformas: para cada 1 h de conteúdo são gerados 11 h de diferentes formatos”.

Albernaz explicou como foi feito o mundial Brasil 2014 em 4K e a sua distribuição linear de conteúdo 4K para que as operadores cheguem a receber na casa dos assinantes os jogos em 4K realizados durante a última Copa do Mundo Brasil 2014.

Outro case explicado pelo executivo da Globo foi a distribuição linear de conteúdo 4K do Rock In Rio, que testou a possibilidade de receber 4K via streaming (OTT) ou satélite, “um mundo bastante despadronizado e precisando definir parâmetros”.

Finalmente, o executivo mostrou a experiência da Globosat com o sistema de distribuição Dolby Atomos, um experimento que foi testado dentro da Globosat e não foi difundido ainda ao exterior.

Satélites para 4K
Finalmente, Fabio Alencar (Claro TV) analisou os impactos da incorporação do 4K no país e como a empresa se posiciona frente às novidades da indústria, tanto no Brasil como na América Latina.

“Nossa preocupação é saber como suportaremos as demandas do futuro. Com a incorporação do satélite Star One C4 – 700W haverá 48 transponders em Banda-Ku comutáveis sobre as Américas”, frisou e afirmou que a empresa possui “60 transporders para atender ao crescimento da rede”.

Ele disse que a partir de 2014 houve um crescimento do HD que continuará a crescer até 2018 chegando próximo do seu topo de crescimento. “O UHDTV começará a crescer devagar, sabendo que o UHD talvez leve um pouco mais de tempo em crescer, começando a despontar em 2020, quando o HD e SD se estabilizem. De fato, temos espaço para manobrar até 2022”.

O SET Sudeste 2015, Seminário de Tecnologia de Broadcast e Novas Mídias Gerenciamento, Produção, Transmissão e Distribuição de Conteúdo Eletrônico Multimídia, se realiza no Auditório da Bolsa do Rio – Centro de Convenções Bolsa do Rio, na Praça XV de Novembro 20, Rio de Janeiro de 24 a 26 de novembro de 2015.

 

Veja a programação completa do SET Sudeste em:

http://www.set.org.br/eventos_regionais_sudeste.asp?ano=2015

Por Fernando Moura, no Rio de Janeiro

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