SET e TRINTA: Transformações na indústria e mudança de hábito dos consumidores marcam palestras de abertura

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O primeiro dia do SET e TRINTA 2017 começou com a palestra de André Altieri, Sennior Account Manager da Cisco no Brasil. O executivo afirmou que as novas mídias trouxeram desafios e preocupações aos broadcasters e ressaltou a necessidade de a indústria desenvolver novas técnicas de codificação de vídeo aliadas às fontes de captação e produção em IP.

“O mercado de mídia se modifica com a adoção do IP e da Cloud, com os novos modelos de consumo e com as aplicações OTT. Isso faz com que os radiodifusores precisem antever as mudanças e trabalhem prevendo o consumo de vídeo por streaming“, sinaliza Altieri.

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André Altieri (Cisco)

Outra mudança drástica, segundo ele, é a transmissão tradicional indo para a distribuição por IP com cada vez maior predominância do IP na contribuição. “Há dois anos já falamos no SET e TRINTA sobre redes IP e, hoje, a aposta da Cisco é fazer redes IP em emissoras. O nosso desafio é avançar com a aceleração da produção de mídia, com a distribuição primária em IP e com a adoção de sistemas seguros onde a criação, o processamento, o delivery e o storage não corram riscos. As emissoras estão cada vez mais na Internet e é preciso proteger os conteúdos”, salientou.

Diego Julidori, gerente de produtos e inteligência de mercado da Equinix, em seu primeiro ano no SET e TRINTA, afirmou que o próximo estágio da indústria de mídia e entretenimento é claramente como alcançar a transformação digital que toma conta do mundo atual. “Encurtar as distâncias de modo que os conteúdos criados e distribuídos estejam próximos e em um lugar onde os clientes e usuários possam acessar de forma fácil se torna crítico para o sucesso da indústria de mídia e entretenimento.”

O executivo analisou o tráfego de acesso à internet na América Latina e disse que o uso de banda a partir de celulares é o que mais vai aumentar até 2020. “Desse tráfego, mais do 80% será vídeo e 90% das interações será em algum tipo de tela”. Além disso, Julidori acredita que as empresas de radiodifusão precisam se adaptar “à nova geração e aos novos hábitos de consumo, com um crescimento de demanda de até 22% de tráfego de vídeo por ano, com +194 EB por mês ou cinco milhões de anos de vídeo. Por isso, precisamos pelo menos 5 vezes mais espaço de armazenamento para dados até 2020”, acrescentou.

Assista ao vídeoEntrevista da Revista da SET com Diego Julidori (Equinix) no SET e TRINTA sobre novas tendências e convergência de mídias

Assista ao vídeo: Liliana Nakonechnyj, presidente da SET realizou a abertura do SET e Trinta em Las Vegas

A solução é a distribuição via satélite? 

Marcelo Amoedo, diretor de vendas da Divisão de Broadcast da Intelsat, também afirmou que a distribuição e o consumo de mídia mudaram drasticamente nos últimos anos, com os espectadores agora exigindo conteúdo de qualidade, sem ruídos, a qualquer momento e em qualquer dispositivo. “Para atender às demandas do consumidor de novas mídias, os programadores precisam reavaliar seus modelos tradicionais de produção e distribuição e implantar maneiras mais eficientes, econômicas e confiáveis de fornecer conteúdo”, frisou.

Isso seria possível, em sua opinião, com a utilização de “uma infraestrutura de rede globalizada com programação de mídia distribuída via satélites da Intelsat com comunidades de vídeo ao redor do mundo. Hoje, o satélite chega a mais de 300 milhões de assinantes no mundo e, na América Latina, a mais de 34 milhões por TV a cabo e mais 28 milhões por DTH. Na região, existem 4 comunidades de distribuição para head-ends de TV a cabo via satélite com flexibilidade, resiliência e escalabilidade, nas quais existem ainda plataformas de MCPC”, lembrou.

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Rodrigo Campos (Eutelsat)

Rodrigo Campos, Diretor Geral da Eutelsat do Brasil, analisou o “impacto positivo da utilização do satélite no processo de switch-off no Brasil” e apresentou “o exemplo da França e suas similaridades com o Brasil”, em palestra na qual afirmou que a migração digital está progredindo rapidamente em todo o mundo e um número crescente de lares está mudando seu modo de recepção de analógico para digital com uma “substituição da TV aberta tradicional para um processo de TDT”.

O executivo acredita que os desafios passam por: como garantir o switch-off analógico com orçamento limitado e sem aumento de receitas; como alcançar locais de difícil acesso a fim de melhorar a cobertura das redes de TV Digital;  e como evitar a “exclusão da TV Digital em 2023, quando o processo acabar, para que não tenhamos apagão nas cidades sem cobertura”. A solução, na opinião de Campos, passa por uma distribuição de TV Digital através de satélites “pela sua rápida implementação, uma relação custo-benefício atraente e uma cobertura ampla com independência de infraestrutura e fronteiras. Além do que, o satélite pode manusear vários formatos: DVB-S/S2 – BTS comprimido”, argumentou.

4K e Jogos Olímpicos em 8K

Noriaki Ugo, gerente de produtos da Panasonic, apresentou uma abordagem técnica para sistemas de vídeo avançados 4K/8K. Ele abordou temas como o LSSIEL (sensor único de grande tamanho com lente de expansão interna), tecnologia para tornar acessível as câmeras 4K; e o modelo conceitual do sistema de produção baseado em IP com tecnologias abertas para SDR/HDR em operação híbrida.

Ugo mostrou, ainda, os preparativos da Panasonic para a produção dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, que serão transmitidos  em 8K. O palestrante explicou como já é possível realizar operação multi-câmera em 8K com o Multi Camera Operation Support System, o Emcoss, que trabalha com um novo algoritmo De-Bayer e avança para o ROI (Wide Angle Distortion Intelligent Correction), o qual permite a correção inteligente de sinais 8K mediante a utilização de um software de Auto Tracking.

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Broadcasters e engenheiros brasileiros nesta manhã no SET e TRINTA 2017, em Las Vegas

SET e TRINTA

Entre os dias 24 e 26 de abril de 2017, a SET realiza, em Las Vegas, Estados Unidos, a 26ª edição do SET E TRINTA, seminário sobre tecnologias nas áreas de engenharia de comunicações, broadcast e novas mídias.

O SET E TRINTA reúne desde 1991 os broadcasters brasileiros além-fronteiras na sala N116 do Pavilhão Norte no Centro de Convenções de Las Vegas. Tradicionalmente, o evento começa bem cedinho: os broadcasters brasileiros chegam por volta das 6h30 da manhã, as palestras começam a ser ministradas por volta das 7h, e se estendem até às 9h30, horário de abertura da feira.

Confira a programação do evento em:

http://www.set.org.br/events/set-no-nabshow-2017/

Veja também: Liliana Nakonechnyj, presidente da SET realizou a abertura do SET e Trinta em Las Vegas. Assista ao vídeo:

https://www.facebook.com/setbrasiloficial/videos/1629925323693195/

***Por Fernando Moura e Francisco Machado Filho em Las Vegas.

Edição em São Paulo: Gabriel Cortez

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Um pensamento sobre “SET e TRINTA: Transformações na indústria e mudança de hábito dos consumidores marcam palestras de abertura

  1. Pingback: SET e TRINTA: Como reduzir os custos de distribuição e melhorar a cobertura? | Revista da SET

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